Músicas felizinhas de segunda #11 (mas já é quarta e tudo bem)

Eu me cobro demais por muitas coisas. Nisso, um monte de projetos embolados no caminho, esperando…

E as músicas continuam.

Party but not so hard

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O novo desenho da She-Ra não é para você.

O pessoal que está reclamando das mudanças gráficas nos remakes de desenhos como Thundercats e She-Ra, eu preciso contar uma coisa muito importante:

Vocês cresceram.

Eu sinto muito por isso, eu mesma não queria ter crescido, mas aconteceu e agora eu sou uma adulta cuja maior preocupação é pagar os boletos e fechar o mês no azul. Quando eu vejo um desenho da She-Ra o que bate é aquela nostalgia gostosa de sentar no sofá de manhã com um copo de leite com Toddy, um pão com manteiga e queijo, com o cabelo pra cima e a cara ainda meio inchada de uma noite gostosa de sono. No meio do desenho da She-ra sempre tinha o comercial de Toddy, então eu tomava o Toddy. Eu sou muito influenciável. Eu também sempre quis uma bonequinha da She-ra, mas era muito cara, mas era linda e eu queria muito.

She-Ra foi criada pela Mattel. Você sabe quem é a Mattel? É a empresa que faz a Barbie. Então a She-Ra era tipo uma Barbie guerreira. E a She-Ra é irmã gêmea do He-Man também, que é outro personagem criado pela Mattel e vendeu muito bonequinho (veja na Netflix o “brinquedos que marcaram época” do He-Man).

Então, assim, a gente amava as lições do He-Man e a força da She-Ra, mas sejamos sinceros, o interesse da Mattel era vender bonequinho. E tudo bem, porque essa era uma tática muito valiosa a partir dos anos 70 – você criava um desenho já pensando em vender o bonequinho. E isso não é muito diferente do que acontece hoje, né? Tirando algumas animações, como o (excelente) Irmão do Jorel, que é uma produção independente nacional, a maioria dos desenhos está ali para vender bonequinho, camiseta, brinde do McDonald’s e, claro, agradar as crianças o suficiente para que elas peçam esses brinquedos para os pais.

É tão simples e tão claro, que eu me sinto meio idiota de ter que explicar isso para outros adultos que, como eu, sonharam com o bonequinho do He-Man e da She-Ea, que tiveram um adesivo do Gorpo colado no vidro do quarto e que tentaram transformar o cachorro no Gato Guerreiroo batendo com a espada de plástico na cabeça dele (com carinho, senão ele te mordia). E tudo isso tomando Toddy e comendo pão com Qualy.

Meus amores, eu sinto muito que seu senso estético dos anos 80 e suas referências nostálgicas tenham sido feridas… Mas a Mattel precisa vender brinquedo. E o que vende hoje é essa She-Ra de traços que você considera mais simples (não são). Veja bem, existe uma pesquisa por trás de tudo que vai pro ar, inclusive na Netflix. Tem que ter um público interessado e tem que ter audiência que vá consumir aquele conteúdo – e vai ter. Não tem como jogar a pesquisa do mercado de consumo infantil no lixo – e criança consome, por mais que a publicidade não possa ser feita direcionada para ela especificamente.

Eu não queria que mudassem o desenho da She-Ra. Mas eu também não posso pedir para a Mattel, a Cartoon Network e os desenhistas ficarem sem grana de publicidade e venda de bonequinho. Sendo bem sincera aqui e agora: por mim a indústria explodiria e criança consumiria apenas aquilo que criança tem que consumir – brócolis – mas a vida real não é assim, né? Eu tô preocupada com boleto e o cara do chão de fábrica que fica colando cabeça de Barbie o dia inteiro também.

Então tudo bem você criticar o novo desenho da She-Ra, mas não faça isso pensando em como o traço e o senso estético mimimi bobobó dos anos 80 é superior. Critique falando com a indústria por trás do desenho – e, acredite, por mais que essa indústria venha com novas mensagens falando que a She-Ra agora não é sexualizada (e não é mesmo, que bom) e que ela é mais infantil (que bom também) e traz moral para a vida das crianças (ufa, né, só faltava tirar a única coisa que prestava) – quer vender bonequinho, publicidade, camiseta licenciada e brinde que vem com lanche (e Danoninho, veja bem).

Não seja inocente.

Não é para vocês.

Eu ainda não sei como será essa nova dinâmica de desenho na Netflix e animação Dreamworks, como isso será monetizado ou se eles foram solidários e legais o suficiente para lançar o novo desenho sem qualquer tipo de ideia de lucro (HAHAHA).

Vamos acompanhar.

(Não vai ter foto porque estamos aqui evitando processinho)