Desabafos e outros dramas · Metas

What the fox say?

Foi de supetão mas foi uma ideia tão acertada e lúcida que eu nem imaginei que daria tão certo quanto deu.

E deu.

Coloquei meu patrono no braço. A minha raposa, minha ambivalência humana, meu bem e mal, instintiva e primitiva. No Oriente, a raposa é fertilidade. Mas ela também representa a pessoa traiçoeira. Porque a gente não consegue ser bom o tempo inteiro…

Eu falei sobre meu lado violento no post anterior. Eu odeio filmes de terror e de violência. Odeio a violência gráfica, odeio ver vídeos violentos. É outra coisa aqui dentro… É uma raiva gigante. Uma raiva que eu não sei descrever. É uma raiva que me acomete e me faz apertar os dentes, me faz socar a parede, que me faz arrancar, literalmente, os cabelos. Essa raiva existe. Mas ela fica guardada, porque ela é traiçoeira, é a raiva que faz com que eu sabote as minhas conquistas, meus planos, minhas metas. E é dessa raiva que meu patrono me protege, que minha raposa vai guardar.

Bem-vinda ao mundo, Foxy.

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A pele que habito

Habitar um corpo que você não gosta é uma das tarefas mais complicadas da vida adulta.

Sempre que penso nisso, lembro da Rae e desse vídeo. Veja e já volto:

Eu lembro exatamente da minha reação quando vi esse episódio e é bizarro que, tanto tempo depois, eu tenha o mesmo pensamento. Eu não diria para minha eu de 10 anos que ela é a pessoa que eu sou hoje. Eu diria que ela pode ser muito melhor do que eu…

Eu não lembro de quando vem isso. Talvez da minha família me zoando por eu ser gorda como minha mãe. Por ser mimada, ter paladar infantil… É possível que isso venha de culpa e remorso da minha velha, tadinha. Ou, ainda, de preconceito mesmo.

Fui gorda praticamente a vida inteira e nunca me senti confortável no meu corpo, mesmo quando era magra. Não gosto de quem eu sou, do meu jeito, do que eu mostro para as pessoas. Então como vou me sentir confortável na minha pele?

Eu gosto de cor de rosa. Gosto de bichinhos bonitinhos. Odeio quando mexem nas minhas coisas – qualquer coisa. Tenho medo dos sentimentos dos outros e por isso costumo fugir das pessoas ou sabotar minhas amizades. Eu amo coisas fofinhas e bonitinhas e delicadinhas. Eu não uso vários tipos de saia porque eu morro de medo de parecer “crente”. Eu não sei me vestir. Eu não quero que meu namorado olhe para outras meninas e pense que talvez ele mereça alguém melhor do que eu em relação a autoconfiança. Eu não gosto de me olhar no espelho e morro de medo da imagem do outro lado piscar para mim. Eu tenho medo de filmes de terror. Eu lido com as pessoas como se elas fossem idiotas quando elas aparentam ser. Eu não sei discutir e sempre acabo chorando em discussões. Eu sou naturalmente violenta e não sei porquê. Eu me acho muito bruta enquanto as pessoas me veem muito delicada, acho que é por isso que tenho medo de ser delicada, porque não quero parecer fraca. Eu tive que crescer para conseguir algumas coisas pequenas mas dou valor para cada boleto pago. Eu tenho medo de escuro e odeio ficar sozinha. Eu odeio meu corpo e quero mudá-lo.

Dizem que o primeiro passo é admitir. Acho que dei um longo passo admitindo que eu me culpo muito pelo meu passado e que agora preciso mudar o futuro. O que vem pela frente?

Não sei. Amanhã vou fazer uma tatuagem, vou fazer meu patrono (sim, do Harry Potter). Vai ser minha primeira tatuagem minimalista, mas “fofa”. Antebraço. Também vou mostrar para o mundo como está o setup de Junho do meu Bullet Journal – que eu pretendo seguir com mais afinco nas próximas semanas. E vou mostrar minhas trequinhas fofinhas. Eu sou fofinha e eu não preciso ser fraca para ser fofinha. E eu preciso entender que essa brutalidade interior não precisa ser também exterior. É possível ser meiga e forte. Bem forte.

Na quarta cedinho, eu tenho terapia – antes fazia Lacan, que analisava o meu passado e as coisas que eu tinha feito, etc., agora vou fazer cognitivo comportamental. Não sei bem as diferenças, mas sei que não vou remexer no passado. Deixa o passado lá quieto.

E hoje comecei o 10×10. Quero emagrecer 10kg em 10 semanas. Sei que consigo, só preciso voltar para low carb (eu estava com carbs novamente, integrais mas ainda assim presentes) e me dedicar ainda mais na academia. Hoje, chove lá fora queima aqui dentro e eu vou mesmo assim.

É meu desafio, meu corpo. E acho que o primeiro passo para habitar uma pele é descobrir o que ela pode fazer.

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Foto by Pexels 

Desabafos e outros dramas

Sobre respeito, auto estima e privilégio

Ser magra, do tipo capa de revista, num mundo onde padrão é mais valorizado do que inteligência é privilégio. E eu vou explicar porquê é muito complicado para mim aceitar isso.

No sábado, fui para uma “baladinha”. Coisa fina, alto de um prédio, ingresso barato. Sucesso. Fui sóbria porque estou num momento de parar de beber – meu metabolismo é muito lento e a bebida tem dado uns revertérios no meu organismo.

Parei de beber porque ainda estou em processo de controle da saúde, da compulsão e do peso. Não posso ser pesada: minhas pernas incham demais, tenho histórico de varizes e problemas de circulação na família, além de já ter tido problemas com colesterol alto e resistência a insulina (estágio comumente chamado de “pré-diabetes”). Ou seja: se eu não cuido do meu peso, controlo o que eu como e faço exercícios, eu tenho problemas que vão além do “essa calça não está me servindo”.

Eu odeio isso. Queria poder comer tudo o que desse na telha sem neura com saúde. Só que, depois de um susto, depois de perder minha mãe para hipertensão e diabetes, depois de ver meu pai sofrer com problemas no coração, eu não posso. Essa neura é necessária para que eu tenha uma expectativa de vida maior do que a da minha mãe, por exemplo, que faleceu aos 61 anos em decorrência dos problema de saúde citados acima.

Eu sei que não preciso justificar emagrecimento e que o corpo é meu – logo, faço o que quiser com ele. Não preciso justificar mas preciso contextualizar, principalmente porque é a primeira aparência – infelizmente, a cara da gente ainda é cartão de visita. E, independente de eu me achar muito bonita, de ser legal, inteligente, uma ótima dançarina e uma pessoa boa, é raro quando esse olhar me vem.

Meu namorado – que, aliás, tem feições muito parecidas com as minhas – tem um corpo perfeito: ombros largos, forte, barriga de tanquinho, músculos dos braços delineados. É realmente um corpão do qual ele se orgulha tanto quanto eu.

E é aí que a coisa pega.

Como assim, esse menino todo cheio de saúde, forte, um touro, está com uma menina “relaxada” assim?

Nossa, ela deve ter dinheiro.

Ah, isso aí é “feitiço”, é “macumba”, só pode!

E por aí vai. Nada que eu já não tenha ouvido antes. Só que eu não sou relaxada. Eu não sou nem gorda. Eu estou acima do peso, sim, mas não sou gorda. Não sou, tampouco, magra. Estou ali num limbo onde julgam minha barriga mas ninguém vê o esforço que eu já fiz e que, se diminui ali, foi consequência de segurar uma compulsão alimentar, passar por uma reeducação, aprender a moderar e controlar o apetite e fazer escolhas que não fossem me prejudicar no futuro.

É muito fácil olhar meus braços, minhas pernas, meu corpo, e achar que eu não sou boa o suficiente para estar ali, com meu namorado. Aliás, a depender de muita gente, nem de amor sou digna, só de pena. Ah, talvez seja isso…

No contexto da festa, me senti intimidada. Porque ali o olhar de julgamento vinha de todos os lados. Assim como as meninas que, mesmo me vendo aos beijos com meu namorado, foram “chegando” nele – porque, no fim das contas, é muito difícil acreditar que um “homão” como ele fique com alguém como eu.

Sei que uma parte do processo é aprender a lidar com esse tipo de coisa. Eu não devo nada – NADA – para ninguém. Nem para o meu namorado, aliás. Eu devo a mim mesma não me abalar com esse tipo de coisa e continuar nessa batalha diária de controle da ansiedade, de entender o comportamento do meu corpo, de estudar escolhas melhores e alternativas saudáveis que vão me fazer bem e me satisfazer.

Elas, as meninas, não são um problema.
Meu namorado definitivamente não é um problema – inclusive, ele conseguiu compreender quando expliquei tudo isso.
A sociedade que a gente vive, que coloca mulheres em posição de rivalidade, que julga quem está acima do padrão “borboleta” da capa da revista, que aponta o dedo e te chama de inadequada o tempo inteiro, que não respeita a escolha do outro (no caso, a do meu namorado de estar comigo e me apoiar nesse processo), é que está errada. Muito errada.

Eu sou adequada. Eu sou linda. Eu sou amada. Eu amo de volta. E eu estou lutando contra problemas invisíveis que não tem nada a ver com meu peso ou autoestima, mas com a minha saúde.

Há batalhas que eu não faço questão de ganhar. A guerra contra os danos que eu causei a mim mesma, essa sim, vou conquistar.

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Comida e Bebida · Desabafos e outros dramas · Organização Pessoal e Bullet Journal

Habit Bull, porta retratos e comida de casa

Há em mim, lá no fundo, uma pessoa que sabe o que está fazendo. Um dos meus maiores problemas ainda é lidar com a auto sabotagem e com as desculpas e empecilhos que me imponho diariamente para deixar de fazer o necessário.

Por isso, a pesquisa tem sido constante por aplicativos, métodos e afins que me ajudem a organizar melhor a rotina, minha vida, meu trabalho e que me incentivem a fazer algo.

Nisso, achei o Habit Bull, um aplicativo que te ajuda a seguir hábitos – você sabia que são necessários 66 dias para que formar de uma atividade, um hábito? É isso que ele ajuda a fazer e tem me servido muito bem, mas chego em casa e… Bate aquela deprê. Até tenho conseguido fazer exercícios e manter as coisas minimamente organizadas, mas rola o tempo inteiro um sentimento de “tem algo errado”. Acho que eu sou a errada. Não sei.

É por isso, também, que voltei a buscar terapia em algum lugar próximo da minha casa – se não for, eu não vou, já sei disso. Tem sido difícil porque não tem psicólogos que atendem meu convênio, então é capaz de eu ter que pegar reembolso, mas se me ajudar a melhorar, nossa, eu pago feliz…

No fim de semana compramos um porta-retratos. Eu e meu namorado, para colocar uma foto que eu dei para ele. Uma foto nossa na mesa. Foi algo especial para mim, confesso. Nunca tive uma foto de namorado na mesa e agora eu tenho e ele tem. É tão pequeno mas é tão significativo… Eu quero muito melhorar para ele e por ele. Melhorar minha saúde, meu corpo, minha mente, porque preciso disso, do meu “divisor de águas”, de deixar o passado de lado e seguir em frente. Só que é difícil, eu continuo remoendo muita coisa… O que eu poderia ter sido, quem eu poderia ser, o que eu queria ter feito e não fiz, o que eu fiz e que não deveria ter feito… Preciso achar um jeito de lidar com tudo isso.

Estamos pensando em um jantar na minha casa. Coisa simples, comida de qualidade, eu e ele, só nós, ou com um casal de amigos. Não sei. Vamos passar mais tempo juntos, isso com certeza, fazendo algo que nós dois gostamos muito: cozinhar. Entre as nossas maiores invencionices, estão os hambúrgueres, que tem feito muito sucesso com os amigos, principalmente pela variedade de toppings. Já fizemos purê de cabotiá, cebola caramelizada e tentamos fazer guacamole, mas o abacate não estava muito maduro e acabamos fazendo ovo frito de gema mole que ficou maravilhoso.

Eu  vou melhorar, sei que vou. Todo dia um passinho.

Desabafos e outros dramas

Caderno de Perguntas

Deu saudade dos caderninhos de enquetes. Minha mãe detestava minhas respostas, me achava “adulta demais” e “racional para uma adolescente”. Quem dera eu fosse as minhas respostas, mãe. Aí me mandaram essa no Facebook, que vou responder de maneira bem sincerona. Olha aí, mãe:

Gênero: Feminino
> Altura:1,68 (mas eu falo 1,70 para todo mundo)
> Idade: 29
> Cor de olho: azuis
> Signo: Capricórnio
> Onde nasceu: Mooca, meu
> Cor de cabelo: castanho bem claro
> Objetos favoritos: cadernos
> Solteiro ou em um relacionamento: em um relacionamento
> Comida favorita: arroz, feijão, farofa, peito de frango a milanesa e purê.
> Animal favorito: cachorros e gatos
> Hora do dia preferida: final da tarde, quando começa o pôr-do-sol
> Dia ou noite: Dia
> Feriado preferido: Natal
> Estação preferida: Primavera
> Emoji favorito: 😒😏
> Hobbie: caligrafia
> Maior defeito: preguiçosa até o talo
> País preferido: Uruguai
> Tempo preferido: dias de sol mas sem muito calor
> Nome do teu pet: No hay pets, mas se tivesse, seriam Sangria e Sardela.
> Nome dos melhores amigos: Denis, Larissa, Debora, Giulia, Fernanda, Brisa, Mau, Nana e Ana Paula. São os que eu posso contar qualquer coisa.
> Aparência ou personalidade: Personalidade
> Natureza ou cidade: Onde meu coração estiver.
> Livro ou filme: Livro
> Conto/história favorito(a): A sociedade dos ruivos – Arthur Conan Doyle.
> Socializar ou ficar sozinho: Socializar
> Banda favorita: The Beatles
> Cantor e cantora favoritos: cantor – Eddie Vedder / cantora – Alanis Morissette
> Música favorita: Naked as we came
> Ficar em casa ou sair: Sair.
> Filme favorito: Metrópolis
> Série favorita: Friends
> Livro favorito: O Poderoso Chefão (Mário Puzo)
> Estilo musical favorito: rock (farofa)
> Assunto favorito: pessoas
> Religião: não tenho
> Nome para uma filha: Virgínia
> Nome para um filho: Miguel
> Frase predileta: “Tudo posso naquele que me fortalece”
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Foto: tatuagem que fiz em homenagem aos meus pais (um anzol e uma agulha de costura)