Beleza, moda e meu ego enorme.

Cara Limpa

Se tem uma coisa com a qual eu tenho um problema sério em mim, é meu rosto.

Eu tenho manchas na pele. Elas são chamadas de melasma, são manchas que ficam no centro da minha testa, nas minhas bochechas, no meu queixo e em volta da boca. Elas me incomodam porque são manchas escuras na minha pele bem branca.

Elas surgiram em 2008 ou 2009, mais ou menos. Eram manchas bem menores que eu não cuidei corretamente. Elas apareceram porque eu tomei sol a vida toda sem protetor adequado (isso quando passava protetor…) e sempre foi MUITO sol – quando morei em Itanhaém, ficava o verão todo torrando, ia para a praia no sol do meio dia e ficava o resto da tarde no sol.

Eu sempre tive vergonha dessas manchas e foi aí que passei a buscar tutoriais de maquiagem e afins para conseguir esconder tudo. Entre vários produtos testados, encontrei os que mais se encaixam com meu tipo de pele mas, mesmo assim, as manchas seguem aumentando.

Só que passar maquiagem todo dia cansa. Usar 3, 4, 5 produtos antes de sair de casa diariamente cansa. É como vestir uma máscara todos os dias, como se aquilo fosse você disfarçando quem é de verdade.

O que eu vou fazer para mudar isso? A primeira coisa é procurar um bom dermatologista e fazer um tratamento de longo prazo que possa realmente amenizar as manchas.

O segundo é praticar a famosa porém negligenciada cara limpa. Protetor solar e só. Maquiagem tem que ser diversão, tem que ser algo prazeroso e algo que eu faça para me sentir bem e não uma obrigação diária no intuito de me fechar em mim.

Vou usar a luz, vou aceitar meu “bigode chinês”, as bolsinhas embaixo dos olhos (haja chá de camomila) e aquela marquinha do óculos no nariz. Vou aceitar que a cara pode estar limpinha e que uma boa iluminação é mais suficiente do que maquiagem.

Que venha em 2017 uma cara limpa e muito, muito feliz.

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Novo corte de cabelo pela minha querida amiga Cintcha.
Beleza, moda e meu ego enorme. · Desabafos e outros dramas

Corpo x Compro

Acho que tem algumas semanas que eu venho enrolando para escrever esse texto mas ele precisa sair.

Eu desconheço meu corpo e isso é horrível. Desde que venho nessa jornada da vida saudável, exercícios e afins, mais eu admiro minhas curvas, o formato dos meus seios, a curvinha que faz meu quadril quando eu deito de lado, como meus pescoço é fino e delicado e como meus joelhos são pra dentro, o que passei a considerar um charme. Quando estou nua, me reconheço naquele corpo, naquelas curvas, eu admiro o corpo que vejo, eu amo o corpo que vejo, eu me sinto completamente a vontade sem roupas.

E aí começa o problema.

Não dá pra sair na rua sem shorcinho e brusinha. Como não vivemos como índios, preciso colocar alguma coisa pra sair de casa e começa todo um drama que tem ficado cada vez mais pesado e tem me deixado cada vez mais ansiosa.

Eu não sinto mais tanta ansiedade em relação a comida como eu sinto em relação a roupas. Juro. Eu passei pela fase de sentir vontades extremas – apesar de dar algumas escorregadinhas na dieta – e passei também pelos momentos que chamei de “euforias calóricas”, quando batia a compulsão e eu me escondia (literalmente) com dois pacotes de salgadinho, um de bolacha, 600ml de coca cola e doce de leite. Não faço isso há mais de seis meses e, realmente, não sinto falta. Acho que meu corpo condicionou a comer as coisas que preciso e passei a gostar dessas coisas – ultimamente, tenho comido até alface, que eu detestava, porque achei um molho que combina apenas com alface. Ou seja, eu prefiro almoçar salada a comprar uma calça.

O problema disso é que as minhas roupas não me servem mais. Mas eu não consigo comprar roupas novas. Eu entrei numa loja de roupas e tive um chiliquinho de ansiedade, deu uma taquicardia e uma dificuldade de respirar porque eu sentia que nada daquilo me pertencia. Fui na Renner comprar um maiô. Comprei o maiô e fiquei eufórica com ele porque nunca achei que fosse usar um maiô de novo na vida. Aí resolvi dar “uma olhadinha” pela loja. Meu primeiro instinto foi ir na sessão plus, já que eu vestia 46. Nada dali serviria, ficaria grande como estão as minhas roupas agora. Ali era muito mais tranquilo de encontrar roupas porque elas tinham caimento melhor. E agora? Eu não sei. Eu nem sei que número eu visto e nem sei se eu quero saber. Não sei se as roupas vão fechar e tenho medo da frustração se elas não fecharem, mas ao mesmo tempo não sei o que eu gosto, não sei como eu gostaria de me vestir, não faço ideia de como eu queria ser. E eu entro em pânico só de pensar.

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Foto: pexels

Quando eu olho aquele corpo nu no espelho, eu sinto uma satisfação instantânea por ele ser tão bonito.

Quando eu coloco uma roupa – qualquer roupa – eu sinto que me roubaram de mim mesma. Eu não consigo me sentir bem.

Beleza, moda e meu ego enorme.

Mudei o visual: cabelo novo.

Ok, a foto está aquela B O S T A, mas tudo bem. Segura a emoção que, em algum momento, teremos fotos bonitas por aqui.

Cortei o cabelo. Tirei quase toda a parte descolorida e o cabeleireiro ainda conseguiu aumentar o volume dando “”””cachos””””. Era pra ser um long bob mas claramente não é.

Tá lindo.

Disseram que eu parecia mais velha. Outros falaram que eu parecia mais nova.

Eu pareço mais eu.

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