Cabeça vazia oficina do Instagram

Deixei de seguir um monte de perfis no Instagram.

Comecei com os de lojas de papelaria: eu tenho milhares de adesivos, washis e recortes que não foram usados ainda, então não faz o menor sentido eu ficar olhando as novidades, porque me frustra não ter dinheiro para comprar tudo – e nem tenho onde colocar e terei dó de usar e vai ficar só lá acumulando poeira. Melhor não seguir, não comprar e parar de ter dó de usar as coisas que eu já tenho. Acabou, vem algo novo, o velho vai estar ali no bullet journal para eu lembrar depois.

Também parei de seguir alguns instas de estudo e bullet journal. Adoro ver uns layouts diferentes, mas ver layouts super elaborados me deixa triste porque ultimamente nem o mais simples eu tenho conseguido fazer. Fiz um curso de lettering com meu querido amigo e professor Hugo Cruz, mas não parei e treinei de verdade, não fiz com afinco e, claro, sem treino não tem milagre, não vai acontecer de bater a cabeça e começar a fazer lettering, é algo que exige uma dedicação que eu simplesmente não tenho – ou até tenho, mas fico arrumando desculpas para não ter.

Parei de seguir as musas fitness ou do cross fit. Eu não vou ter aquele corpo e tudo bem. Pretendo continuar com uma alimentação balanceada, meus pratinhos bonitos e coloridos, mas não vou mais me entristecer porque comi um chocolate, as malditas 50g de açúcar e gordura que não vão me deixar ter uma barriga chapada – e todas as desculpas que eu fico procurando para não me dedicar mais aos treinos, tipo fazer duas vezes ao dia, e acabo comendo pensando em comida, um prato cheio (perdão) para ter episódios de compulsão, que voltaram com tudo nas últimas semanas e acabei comprando um monte de sementes de abóbora para lidar com isso, o que não deu certo porque eu queria que cada semente fosse um brigadeiro. Acabei beliscando alguns BIS do pessoal do trabalho. A vontade era comer uma caixa inteira. Pronto, lá vem o sentimento de compulsão, a culpa, a raiva por não poder comer o que bem entender. E o pensamento recorrente: “você está tendo um episódio, lembre-se de comer como uma pessoa normal”.

Eu parei de seguir essas pessoas porque sentia inveja delas. Sim, você leu certo, eu estava com inveja. Por que eu não tirei aquela foto? Por que eu não sou magra? Por que eu não sou capaz de fazer um layout decente no meu bullet journal? Por que eu não consigo parar de comer? Por que eu nunca tenho dinheiro para comprar as coisas que eu gosto? Por que nunca tenho dinheiro para comprar coisas que eu quero? Por que eu nunca me visto bem? Por que eu nunca estou sorrindo?

Eu comecei a projetar todas as minhas frustrações e ressentimentos em outras pessoas. A culpa de eu não ter formado na faculdade, de não estar em forma, de não me vestir bem, de comer feito um leão e de nunca ter dinheiro foi jogada em cima dos outros porque isso é fácil. Se eu culpo o outro, se eu posso nutrir um sentimento de inveja por ele, significa só que eu não estou olhando – e, consequentemente, cuidando – para mim.

Está na hora de olhar para mim. Olhar para o que eu quero, gosto, sou e não ficar me comparando com os outros ou, pior, querendo ser como eles. Eu não sou e só não está tudo bem com isso porque eu não tenho me sentido bem na minha própria pele.

Poucas coisas são tão difíceis e dolorosas como olhar no espelho e não se ver. E quando se vê, não saber quem você é.

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