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A pele que habito

Habitar um corpo que você não gosta é uma das tarefas mais complicadas da vida adulta.

Sempre que penso nisso, lembro da Rae e desse vídeo. Veja e já volto:

Eu lembro exatamente da minha reação quando vi esse episódio e é bizarro que, tanto tempo depois, eu tenha o mesmo pensamento. Eu não diria para minha eu de 10 anos que ela é a pessoa que eu sou hoje. Eu diria que ela pode ser muito melhor do que eu…

Eu não lembro de quando vem isso. Talvez da minha família me zoando por eu ser gorda como minha mãe. Por ser mimada, ter paladar infantil… É possível que isso venha de culpa e remorso da minha velha, tadinha. Ou, ainda, de preconceito mesmo.

Fui gorda praticamente a vida inteira e nunca me senti confortável no meu corpo, mesmo quando era magra. Não gosto de quem eu sou, do meu jeito, do que eu mostro para as pessoas. Então como vou me sentir confortável na minha pele?

Eu gosto de cor de rosa. Gosto de bichinhos bonitinhos. Odeio quando mexem nas minhas coisas – qualquer coisa. Tenho medo dos sentimentos dos outros e por isso costumo fugir das pessoas ou sabotar minhas amizades. Eu amo coisas fofinhas e bonitinhas e delicadinhas. Eu não uso vários tipos de saia porque eu morro de medo de parecer “crente”. Eu não sei me vestir. Eu não quero que meu namorado olhe para outras meninas e pense que talvez ele mereça alguém melhor do que eu em relação a autoconfiança. Eu não gosto de me olhar no espelho e morro de medo da imagem do outro lado piscar para mim. Eu tenho medo de filmes de terror. Eu lido com as pessoas como se elas fossem idiotas quando elas aparentam ser. Eu não sei discutir e sempre acabo chorando em discussões. Eu sou naturalmente violenta e não sei porquê. Eu me acho muito bruta enquanto as pessoas me veem muito delicada, acho que é por isso que tenho medo de ser delicada, porque não quero parecer fraca. Eu tive que crescer para conseguir algumas coisas pequenas mas dou valor para cada boleto pago. Eu tenho medo de escuro e odeio ficar sozinha. Eu odeio meu corpo e quero mudá-lo.

Dizem que o primeiro passo é admitir. Acho que dei um longo passo admitindo que eu me culpo muito pelo meu passado e que agora preciso mudar o futuro. O que vem pela frente?

Não sei. Amanhã vou fazer uma tatuagem, vou fazer meu patrono (sim, do Harry Potter). Vai ser minha primeira tatuagem minimalista, mas “fofa”. Antebraço. Também vou mostrar para o mundo como está o setup de Junho do meu Bullet Journal – que eu pretendo seguir com mais afinco nas próximas semanas. E vou mostrar minhas trequinhas fofinhas. Eu sou fofinha e eu não preciso ser fraca para ser fofinha. E eu preciso entender que essa brutalidade interior não precisa ser também exterior. É possível ser meiga e forte. Bem forte.

Na quarta cedinho, eu tenho terapia – antes fazia Lacan, que analisava o meu passado e as coisas que eu tinha feito, etc., agora vou fazer cognitivo comportamental. Não sei bem as diferenças, mas sei que não vou remexer no passado. Deixa o passado lá quieto.

E hoje comecei o 10×10. Quero emagrecer 10kg em 10 semanas. Sei que consigo, só preciso voltar para low carb (eu estava com carbs novamente, integrais mas ainda assim presentes) e me dedicar ainda mais na academia. Hoje, chove lá fora queima aqui dentro e eu vou mesmo assim.

É meu desafio, meu corpo. E acho que o primeiro passo para habitar uma pele é descobrir o que ela pode fazer.

10×10 D01 S01. Vamos ver.

Foto by Pexels 

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2 comentários em “A pele que habito

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