Beleza, moda e meu ego enorme. · Desabafos e outros dramas

Corpo x Compro

Acho que tem algumas semanas que eu venho enrolando para escrever esse texto mas ele precisa sair.

Eu desconheço meu corpo e isso é horrível. Desde que venho nessa jornada da vida saudável, exercícios e afins, mais eu admiro minhas curvas, o formato dos meus seios, a curvinha que faz meu quadril quando eu deito de lado, como meus pescoço é fino e delicado e como meus joelhos são pra dentro, o que passei a considerar um charme. Quando estou nua, me reconheço naquele corpo, naquelas curvas, eu admiro o corpo que vejo, eu amo o corpo que vejo, eu me sinto completamente a vontade sem roupas.

E aí começa o problema.

Não dá pra sair na rua sem shorcinho e brusinha. Como não vivemos como índios, preciso colocar alguma coisa pra sair de casa e começa todo um drama que tem ficado cada vez mais pesado e tem me deixado cada vez mais ansiosa.

Eu não sinto mais tanta ansiedade em relação a comida como eu sinto em relação a roupas. Juro. Eu passei pela fase de sentir vontades extremas – apesar de dar algumas escorregadinhas na dieta – e passei também pelos momentos que chamei de “euforias calóricas”, quando batia a compulsão e eu me escondia (literalmente) com dois pacotes de salgadinho, um de bolacha, 600ml de coca cola e doce de leite. Não faço isso há mais de seis meses e, realmente, não sinto falta. Acho que meu corpo condicionou a comer as coisas que preciso e passei a gostar dessas coisas – ultimamente, tenho comido até alface, que eu detestava, porque achei um molho que combina apenas com alface. Ou seja, eu prefiro almoçar salada a comprar uma calça.

O problema disso é que as minhas roupas não me servem mais. Mas eu não consigo comprar roupas novas. Eu entrei numa loja de roupas e tive um chiliquinho de ansiedade, deu uma taquicardia e uma dificuldade de respirar porque eu sentia que nada daquilo me pertencia. Fui na Renner comprar um maiô. Comprei o maiô e fiquei eufórica com ele porque nunca achei que fosse usar um maiô de novo na vida. Aí resolvi dar “uma olhadinha” pela loja. Meu primeiro instinto foi ir na sessão plus, já que eu vestia 46. Nada dali serviria, ficaria grande como estão as minhas roupas agora. Ali era muito mais tranquilo de encontrar roupas porque elas tinham caimento melhor. E agora? Eu não sei. Eu nem sei que número eu visto e nem sei se eu quero saber. Não sei se as roupas vão fechar e tenho medo da frustração se elas não fecharem, mas ao mesmo tempo não sei o que eu gosto, não sei como eu gostaria de me vestir, não faço ideia de como eu queria ser. E eu entro em pânico só de pensar.

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Foto: pexels

Quando eu olho aquele corpo nu no espelho, eu sinto uma satisfação instantânea por ele ser tão bonito.

Quando eu coloco uma roupa – qualquer roupa – eu sinto que me roubaram de mim mesma. Eu não consigo me sentir bem.

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