Músicas felizinhas de segunda #10 (é terça de novo edition)

Essas playlists têm revelado um monte de mim mesma. Não só pelo meu gosto musical que se encontra bem diferente do que costumava ser – e não é que eu tenha deixado de gostar dos outros gêneros, eu só percebi que gosto mais desses – mas também pelo que tenho visto de mudança na minha personalidade.

Ultimamente eu tenho tido tanto medo… O cenário de ódio e opressão em que estamos e é cada dia mais necessário tomar uma posição e defendê-la. E nesse medo eu sinto que em mim nasce amor: pela liberdade, pelas pessoas que não tem as mesmas chances que eu tive, pelo reconhecimento dos meus privilégios e a decência de me despir deles, pelos que sentem um ódio inexplicável por algo que nem os atinge diretamente, por todas as pessoas que precisam encarecidamente de aulas de história e interpretação de texto (mostrando que a precariedade de educação nos últimos 40 anos fez um bom estrago na população)… Então essa é playlist é por entender e começar a trilhar um caminho de paz, de luz e de amor no tempo em que paira sobre nós uma escuridão.

Find my way

É a essência do que eu procuro: um caminho, uma luz, um guia. E nesse ínterim, o que eu tenho de certeza é que há também uma crescente de posicionamento e o meu se revela em duas palavras: #EleNão.

Photo by Mihis Alex from Pexels

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Músicas felizinhas de segunda #8 (eu sei que é terça edition #2)

Um colega de trabalho saiu e eu estou com duas contas e as coisas talvez estejam saindo um pouco do meu controle.

Ainda assim, eu tirei um tempinho hoje para fazer essa seleção de 10 músicas felizinhas porque eu precisava disso. E resolvi fazer algo especial só com mulheres e só músicas em espanhol porque sim.

Escute agora: SOLAMENTE DIEZ 

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Estou em crise de imagem, acho. Não, eu tenho certeza. Eu fico pensando na pessoa que eu quero ser e cada vez parece que eu fico mais distante e parte disso é auto sabotagem.

Então deu vontade de fazer uma volta às origens com essa playlist. Eu amo músicas em espanhol e amo a cultura da América Latina. Então por quê diabos eu tenho sido tão eurocentrada no que faço? Não sei. Más influências de redes sociais, talvez.

Estou fugindo da pessoa que eu quero ser. Colorida, viva e forte.

Preciso de mar, de praia, de brincos gigantes de abacaxi, de um vestido florido e de um cabelo desgrenhado (opa, isso eu já tenho). Preciso de pé na areia ou na grama, preciso de um pouco de paz, pular corda no parque e dançar na chuva.

Preciso de vida.

 

Not all those who wander as lost

All that is gold does not glitter,
Not all those who wander are lost;
The old that is strong does not wither,
Deep roots are not reached by the frost.
(J. R. R. Tolkien)

 

Nem tudo o que é ouro brilha,
Nem todos os que vagueiam estão perdidos;
O velho que é forte não murcha,
Raízes profundas não são alcançadas pela geada.

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Minha cabeça está bem confusa nos últimos dias e odeio não saber o que vai acontecer amanhã ou depois de amanhã. Perdi a confiança em mim mesma muito mais por não saber o que fazer do que pelo que sei que tenho feito.

E eu estou perdida, mas nem todos os que vagueiam estão.

Preciso voltar a vagar.

Um presente para a Carol de 14 anos

Poucas coisas me doeram tanto quanto aquele 2002.

Hormônios, amizades, crushes não correspondidos, brigas e um complexo de inferioridade que durou quase a minha vida inteira – e que resolve aparecer de vez em quando eu forma de auto sabotagem.

Eu olho para aquela menina tão bobinha e insegura… E eu quero dar algo para ela. O universo recompensou muita coisa na minha vida, de verdade, e foram muitas coisas boas. Eu realmente não tenho do que reclamar: tenho um emprego que amo, um namorado maravilhoso, não tenho dívidas e tenho saúde – fora essa semana, eu tenho saúde.

Eu sou rancorosa. Poxa, eu sofri tanto naquela época que até parece que não sou grata pelo que tenho agora, mas não não é isso… É uma tristeza que ainda mora em mim e que eu preciso tirar.

Por isso vou fazer o que aquela menina tentou muito e nunca conseguiu: ser ela mesma.